16 de maio de 2008

Fragmentos


Cacos de mim espalhados
............................................Espalhados e inalcançáveis
..........................................................................................Cansáveis
Grito oco, ouvido por dentro
.................................................Olvido
...........................................................Zunido
Barulho que atormenta a mente
.......................................................Mente quem diz
..................................................................................Diálogo
Inacabado eterno estado
..........................................Demência
..........................................................Pula corda e acorda do grito feito raio ..........................................................................................partido
Estardalhaço
......................Aço
............................Brilho fosco da espada empalada na garganta
Percorre o ânus
...........................Interior escatológico da criação
Criatura inacabada ...
.....................................

.....................................

.....................................


Marlene 15/05/08
Foto: Grendel

1 de maio de 2008

A Barca-abarca

Foto: Isaurinha Brissos

Vi a roupa lilás pelo espelho. Estampei um som na voz e regressei do claro sonho de abril.
Era o final, o mês se ia e eu ali, observando os lados, as linhas, cada sol que nascia nas noites que davam lugar ao dia.
Pisei meu caminho novamente, olhei e contemplei o céu, lembrei que era o que me fascinava. Era Outono, pois final de Abril. Tive um pensamento de justiça, logo corrompido pela minha neurose febril, adaptada pelo sistema. Eu, já contaminada desses longos momentos que duram alguns séculos rabiscava algumas palavras, letras negras em longas folhas.
Meu corpo não correspondia ao que sentia, agia, a culpa vinha, exatamente como fora planejado por não sei quem, mas foi. Homens BRAVOS tiveram sonhos, escreveram coisas, contagiou a legião de outros tantos que tinham desejos misturados e ansiavam por dias melhores, dias de sol...dias que pudessem contemplar a lua sem a culpa de fazê-lo Por dar lugar ao ócio, por querer somente ser dono de mente e corpo...
O outono passou e um novo veio -já se anunciando velho, foi o tempo que correu no caminho de lindas lilases pelo espelho. Reflexos dos plexos batiam direto no canto esquerdo de um peito, TUM, , TUM, luzes tão minúsculas ... Apagaram-se na única forma. Energia.
Células mortas, - pendiam no pó...

Marlene –hoje)

Obs. O espírito do som(sol)...,avança para o mar, tá na crista da onda,... espera a onda chegar e ainda brinca na espuma(lindo) – Cássia Eller (não sei se realmente é dela), mas capitu me espera...

19 de abril de 2008

A Corda do Violão

Foto: Mariah

Prata incendiando a luz do cais
Que em noites franzinas escutava
O eco de gritos sangrentos...
Era pelo mar, pelo mar
invadiam calçadas disformes
E mandavam informes, vestidos em seus uniformes sem cor
Em punho, lanças brilhavam ofuscando
A luz que dormia em silêncio a guardar
A sorte dos olhares arregalados e distraídos

Eram corpos espalhados

Eram vampiros que de súbito vinham sugar meu ar,
Acordava em cóleras
A janela - corria a olhar para ver a cor do mar...
Lilás?
nem o fogo brilhava nas ondas
ofuscado
pelo sabor da dor

O parto, estava no início
Gemidos quase imperceptíveis
Latente, batia, batia...
Uma mão pousou em minha janela

Sem dedos seus anéis brilhavam
Para ninguém mais, ninguém
Não havia...

Sorrisos mordidos
Piscavam das bocas
Sem voz
Engolia seca a fumaça
Sem gosto, sem manto

De repente, as calçadas vazias
- e o ar
No sangue daquela espada
Prateava as curvas da água do mar;

Marlene 18/04/08

17 de abril de 2008

Faces

Traduza em mim, uma parte do Claro
Traduza em mim, uma parte do Escuro
E deixe a outra para juntar o que falta...

Marlene 16/04/08

11 de abril de 2008

Filmes Gozosos...

Eu e um amigo colorido, resolvemos fazer uma brincadeira e trocar linhas...

Foto: Alba Luna

Os horizontes são assim deitados, como os corpos, como a cama ao chão, como o final de um filme intenso...
Os cheiros ainda estavam lá. Sutis, incenso do México, cheiros de aromas sexuais, de comida, garfo e faca na mão ele comeu os dois, ela e a comida...
As falas, e sussurros, são quentes, apertam a nuca, retalham cabelos e corações, tem nicotina no ar...
São os dias, os sons, os tempos, passou rápido, hipnótico, sexta - sábado & domingo, atenuando o frio e a chuva com a cachaça, juntos - dentro, com apertos, com beijos travados de longo e língua...
Assim foi, ao amanhecer no domingo tudo volta, pleno de uma andança completa, de dias chuvosos, mais uma andança para os transportes, para lugares longes demais, lugares onde só a poesia alcança...

07.04.2008-Everaldo Ygor









Foto: Marlene I.Kuhnen








3 de abril de 2008

A pálida




No café-da-manhã, minhas certezas servem-se de dúvidas.E têm dias em que me sinto estrangeiro em Montevidéu (São Paulo) e em qualquer outra parte. Nesses dias, dias sem sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo me reconhecer em nada, em ninguém. As palavras não se parecem àquilo que dão nome, e não se parecem nem mesmo ao seu próprio som. Então não estou onde estou. Deixo meu corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem mesmo comigo, e não tenho, nem quero ter, nome algum: então perco a vontade de me chamar ou de ser chamado.

Eduardo Galeano

Pego emprestado,e com uma certa inveja, as palavras de Galeano, que soube tão bem expressar sentimentos invadidos, em mim...

31 de março de 2008

20/10/2006 19:40


Foto: Marlene Kuhnen

Essência, moléculas unidas
neste ser
transeunte na vida
voando, leve na lua
leve ao sol
leve ao sol
essência minha
de raios quentes
cintilam
ponderadamente
essência, me faz louca
me fez louca



Marlene Kuhnen

28 de março de 2008

Para o dia do CIRCO

Foto: Carambasproblog

Pular!
Gritar!
Brincar!
Criançar!
Palhaçar!
Vale a lágrima a escorrer
enfeitando um riso, sorriso, gargalho
escondido
Vale o riso, limpo a desaguar
A lágrima do riso
HA ,HA, HA,HÁ------
Dança o circo
Dança!
Brinca de criança
Faz roda, faz careta
Pula corda, cospe fogo
Engole espada
Faz malabarismos, contorcionismos!
Vai, viva vida...Acrobata

Marlene – 27/03/08



23 de março de 2008

Foto: Cyril berthault-jaquier

Sim senhores...Porcaria!
Estas são minhas letras, porcarias!
Não tenho enfeites
Em um sonho me foi revelado:
Andei passos apertados, dormi em cama
De mentiras
Amargurei culpa, de mentiras
Como olhar no olho, no fundo do olho
E enganar-me, mentira?
Sim Senhores, escrevo porcarias
Sou um mostro, que agora não abro a janela
Espio o mundo pela fresta
Pois o mundo me teme
Sim Senhores, escrevo porcarias...
Não tenho sentimentos, não tenho nada
Só o engano
De um tempo feliz...
Escrevo porcaria
Aos anônimos, que se escondem
O Mar vai se espalhar na rua central
Em meio a multidões
Assim não só escrevo porcaria
Faço porcaria...

Lua, lua...lua


Nossa; a lua saiu tão linda
Cheia, grande a enfeitar o céu
Grande...
Tem aros coloridos ao redor
São braços “embraçados”
Mudando
O tato
Tem luz, brilha
Abre o céu com uma veracidade – alaga as nuvens escuras –
Tem azul, tem laranja
Mudou o desenho do ar
Tem vento a bailar
Nas árvores, voam tão leves
Em braços encarnados verdes!
Tem o negro, que da à luz
Mais vida
Ilumina mesmo no cinza
Contorna tão perfeito
Oh, lua
Enfeitiça os largos braços
Que batem tão
Perto do pulso
De ar que alagam
As sombras claras da noite

Marlene - Foto: Marlene Kuhnen
21/03/08

21 de março de 2008

O Mar,por horas...

Foto: Marlene Kuhnen

18 de março de 2008

Horas, o mar...

Foto: Marlene Kuhnen