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26 de março de 2010
4 de dezembro de 2009

Foto: MIK
Quero sentar na pedra a observar o horizonte
Fatiguei das minhas variações
Quero a resposta do mar obliquo
Contorcido
Rebentar
Perdoar a vida que de mim fez tortura
Sorrisos fáceis e ligeiros
Abandonados
Afagos
Nem sei mais, em um instante me absorvo, pedra
Louca encantando ondas, que me dizem?
Salvem a alma fiel desta tortura, me ponha em riste!
Tirem me do conflito eterno entre o ser e o estar
Devolvam o alimento de minha vida
Decifrem minha essência
Diga meu mar,
Como posso pousar neste deserto infindo?
É isso ai...
2 de novembro de 2009
Colheita
Quando minha horta der frutos
Colherei com olhos calejados e enrugados pelo tempo de sol
Primavera, já muitas passadas
Caminhos adubados e inférteis
Colherei frutos maduros e amargos
carregados de histórias doces, suculentas no tempo certo
Quando minha horta der frutos, semearei a próxima estação
E pacientemente regarei na audácia de minha esperança
O tempo contado por homens modernos
esperarei do novo/velho tempo de colheita
Algo diferente no ar
Marlene
26 de setembro de 2009
Hoje sairei de preto colorido
A procura do palhaço
Que espreita meu amor desarticulado
Numa espessa linha negra
Brilho de luz obscuro, contornando linhas de lábios...cinzas
Sairei, sem sandálias de prata, apenas de tênis apertados em laços
E passos
Sem lantejoulas ou qualquer outro brilho, procuro o brilho.
Não beijarei pés e nem darei os pés a serem beijados
Procuro palavras que em leve sutileza, formam sentidos
Hoje sairei de preto colorido.
A procura do palhaço
Que espreita meu amor desarticulado
Numa espessa linha negra
Brilho de luz obscuro, contornando linhas de lábios...cinzas
Sairei, sem sandálias de prata, apenas de tênis apertados em laços
E passos
Sem lantejoulas ou qualquer outro brilho, procuro o brilho.
Não beijarei pés e nem darei os pés a serem beijados
Procuro palavras que em leve sutileza, formam sentidos
Hoje sairei de preto colorido.
7 de agosto de 2009
Transito
Entre o normal e a loucura
Entre a bondade e a crueldade
A agonia e a perfeição
Sou mole carne
O diabo pousa em meu ombro
Dizem que no esquerdo
Meu omoplata torto
Perco o tesão
Nãosei, não sei
Encantamento, desencantamento
Poço fundo
Suja água que não lava o corpo
Somos crianças pálidas e amedrontadas
Perdoe-me a existência
A contradição
Transito
Entre não sei o que e o que não sei
Entre o normal e a loucura
Entre a bondade e a crueldade
A agonia e a perfeição
Sou mole carne
O diabo pousa em meu ombro
Dizem que no esquerdo
Meu omoplata torto
Perco o tesão
Nãosei, não sei
Encantamento, desencantamento
Poço fundo
Suja água que não lava o corpo
Somos crianças pálidas e amedrontadas
Perdoe-me a existência
A contradição
Transito
Entre não sei o que e o que não sei
3 de agosto de 2009
Dormiremos agora
Num grande e profundo sono
Nem as luzes automobilísticas em tal velocidade irão nos acordar
Dormiremos
Nem o ar poluído vibrando freneticamente em nossas narinas
Dormiremos
Minha alma anda nua pelas ruas
Dormiremos
Os corpos estendidos a descansar
Calçadas impuras e fétidas
Dormiremos
Minha alma anda nua pelas ruas
Dormiremos ontem
Apodrecidos do cansaço dialógico de palavras que zumbem no ar
Dormiremos
Tão longos em corpos frios
Perfeitamente esticados
Dormiremos, desmanchados
Num grande e profundo sono
Nem as luzes automobilísticas em tal velocidade irão nos acordar
Dormiremos
Nem o ar poluído vibrando freneticamente em nossas narinas
Dormiremos
Minha alma anda nua pelas ruas
Dormiremos
Os corpos estendidos a descansar
Calçadas impuras e fétidas
Dormiremos
Minha alma anda nua pelas ruas
Dormiremos ontem
Apodrecidos do cansaço dialógico de palavras que zumbem no ar
Dormiremos
Tão longos em corpos frios
Perfeitamente esticados
Dormiremos, desmanchados
23 de junho de 2009
Sucessão -CLARICE
“Sonhadores, eles passaram a sofrer sonhadores, era heróico suportar. Calados quanto ao entrevisto por cada um, discordando quanto à hora mais conveniente de jantar, um servindo de sacrifício para o outro, amor é sacrifício.
Assim chegamos ao dia em que, há muito tragada pelo sonho, a mulher, tendo dado uma mordida numa maçã, sentiu quebrar-se um dente da frente. Com a maçã ainda na mão e olhando-se perto demais no espelho do banheiro – e deste modo perdendo de todo a perspectiva – viu uma cara pálida, de meia-idade, com um dente quebrado, e os próprios olhos... tocando o fundo, e com a água já pelo pescoço, com cinqüenta e tantos anos, sem um bilhete, em vez de ir ao dentista, jogou-se pela janela do apartamento, pessoa pela qual tanta gratidão se poderia sentir, reserva militar e sustentáculo de nossa desobediência...”.
Lispector
Assim chegamos ao dia em que, há muito tragada pelo sonho, a mulher, tendo dado uma mordida numa maçã, sentiu quebrar-se um dente da frente. Com a maçã ainda na mão e olhando-se perto demais no espelho do banheiro – e deste modo perdendo de todo a perspectiva – viu uma cara pálida, de meia-idade, com um dente quebrado, e os próprios olhos... tocando o fundo, e com a água já pelo pescoço, com cinqüenta e tantos anos, sem um bilhete, em vez de ir ao dentista, jogou-se pela janela do apartamento, pessoa pela qual tanta gratidão se poderia sentir, reserva militar e sustentáculo de nossa desobediência...”.
Lispector
6 de junho de 2009
24 de maio de 2009
16 de maio de 2009
Fome que come o ar, não respira guardando o último suspiro
Para a sofreguidão...
Frio que humilha corpos des(acalentados)
Aquecendo o bolso de bem poucos
Insistem em nus, jogarem corpos humanos no desumano trono da vida
Como reis calcificados pela desordem que ordena a pequenos
- vestes nobres de tal grife
Orgia de pura seda que pela fresta olham apavorados aos que lhes sustentam
O luxo acumulado de lixo
Com perspicácia dos ídolos messiânicos
Justificando meu frio, minha fome, da redoma salutar de um divino
Tão pobre gravidez apodrecida no ar...
Marlene 16/05/09
Para a sofreguidão...
Frio que humilha corpos des(acalentados)
Aquecendo o bolso de bem poucos
Insistem em nus, jogarem corpos humanos no desumano trono da vida
Como reis calcificados pela desordem que ordena a pequenos
- vestes nobres de tal grife
Orgia de pura seda que pela fresta olham apavorados aos que lhes sustentam
O luxo acumulado de lixo
Com perspicácia dos ídolos messiânicos
Justificando meu frio, minha fome, da redoma salutar de um divino
Tão pobre gravidez apodrecida no ar...
Marlene 16/05/09
8 de maio de 2009
6 de maio de 2009
E Cheiro...
Foto: Marlene I.KuhnenCompilo folhas transparentes
Meu ser transborda na luz que gira olfativamente neste próprio ser
As rosas redondas na crescente espiral da vida
Germinação, pétalas formando o botão maduro
Em mim e de mim
Sou assim, respiro o botão
De verde que lança espinhos
Em-talo de caule verde-douro
Pequeninos salientes agudos a ti revestem
e brotam rigidamente junto a rosa
da terra que de mim foi recheada...
Meu ser transborda na luz que gira olfativamente neste próprio ser
As rosas redondas na crescente espiral da vida
Germinação, pétalas formando o botão maduro
Em mim e de mim
Sou assim, respiro o botão
De verde que lança espinhos
Em-talo de caule verde-douro
Pequeninos salientes agudos a ti revestem
e brotam rigidamente junto a rosa
da terra que de mim foi recheada...
Marlene I.Kuhnen
26 de abril de 2009
Talvez um livro de tragédias curtas
Mas tão extenso em seus caminhos
A cor bruta de um sonho – pode acorrentar
Pés descalços e machucados
Sangue que verte em um universo transbordado de aguardente
Cala em minha figura
Um colorido só para retocar a alma
Lá, onde simples gestos de alongamento muscular
Não tocam
Não sei por que não tem som agora...
m.i.k
26/04/09
"...A chuva nunca para de cantarA chuva nunca para de descer
E a chuva (chuva)Com o seu sonho de água vem acesa
Pra lavar o que passou..."
cordel do fogo encantado
Mas tão extenso em seus caminhos
A cor bruta de um sonho – pode acorrentar
Pés descalços e machucados
Sangue que verte em um universo transbordado de aguardente
Cala em minha figura
Um colorido só para retocar a alma
Lá, onde simples gestos de alongamento muscular
Não tocam
Não sei por que não tem som agora...
m.i.k
26/04/09
"...A chuva nunca para de cantarA chuva nunca para de descer
E a chuva (chuva)Com o seu sonho de água vem acesa
Pra lavar o que passou..."
cordel do fogo encantado
29 de março de 2009
Jasmim dos poetas
Qual flor me tem em cheiro ...Exalo o odor puro de cristais paradoxos...
Que cheiro te escrever?
São tantas as palavras, que me foge a exata linha sonora
Dessas cordas que tocam há tanto
Secas... velozes, um puro aço que transborda o deserto
De areia tão fina que cegam
Molhadas, os cristais de meus olhos cansados
E tremidos...
Amarelo,
14 de março de 2009
Dia da Poesia(não Tem Título
20 de fevereiro de 2009

Calor noturno com tempero
De brisa perfumada
Largo sorriso encoberto
Pela noite quente fresca
Fresca sombra estampada de luzes corredeiras
Água límpida escorrendo por pedras frias iluminadas
Pela latente claridade de bolhas pequeninas
Cintilantes
Dor? Distante sentimento
De tão longe engano, vibrante
Ai que descolo uma coceira no pescoço
(suspiro)
e uma lágrima, quase invisível
me vem no instante exato
que o olhar de supertramp cruzou o do cervo...
para os introspectivos
Marlene 20/02/09
Foto: Paula ªLopes
De brisa perfumada
Largo sorriso encoberto
Pela noite quente fresca
Fresca sombra estampada de luzes corredeiras
Água límpida escorrendo por pedras frias iluminadas
Pela latente claridade de bolhas pequeninas
Cintilantes
Dor? Distante sentimento
De tão longe engano, vibrante
Ai que descolo uma coceira no pescoço
(suspiro)
e uma lágrima, quase invisível
me vem no instante exato
que o olhar de supertramp cruzou o do cervo...
para os introspectivos
Marlene 20/02/09
Foto: Paula ªLopes
14 de fevereiro de 2009
Navegantes!Ao mar em desafio ao imaginário
De Belém ao Seguro Porto
Trovoadas marinhas
Mortes!
Indo e vindo em turvas ondas
Tal qual o medo escondido por entre
Gengivas desafiando a morte pelo simples desconhecido
Imagens fulgurantes de dantes sonhada
Sonda por entre homens apertados e cansados
Ansiosos pela nova terra
Ecoa pelos atentos ouvidos
Leve vento a crescer assustadoramente
Como uivos marinhos
Alto, tombadas para lá, para cá
Bailando ao mar sem nada, horizontes desacossados
Palmas, vibrantes a crueldade consumindo almas errantes
E bradas de aventura - Homens gloriosos pelo sonho
Viajantes de espada de aço num fio de aço ancorado no coração
Gargantas turbulentas e lentas, secas...
Um gole raspando a corrente que encontra
O rasgo fio apavorante; corrente tênue de líquido
Ah, que me ponho a sonhar...
Com frios homens bravios – prazenteiros
Rarefeitos
Marlene-14/02/09
Foto: S`Agaro
1 de fevereiro de 2009
Meu tempo passou
Já não brotei
Fico a catar sentimentos
Por dentro
A roda mudou
Andamos em sentido desfigurado
Ponteiros atrasados/adiantados
Rápidos
Meninos brincam de bola e boneca
Meninas se enfeitam ainda ansiosas
Espelhos quebrados empoeirados
En-fi-lei-ra-dos
Brotos encharcados
Amigos estranhos
Cem/sem
Comum anestesia
Para olhos feridos ...
Já não brotei
Fico a catar sentimentos
Por dentro
A roda mudou
Andamos em sentido desfigurado
Ponteiros atrasados/adiantados
Rápidos
Meninos brincam de bola e boneca
Meninas se enfeitam ainda ansiosas
Espelhos quebrados empoeirados
En-fi-lei-ra-dos
Brotos encharcados
Amigos estranhos
Cem/sem
Comum anestesia
Para olhos feridos ...
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