23 de junho de 2009
Sucessão -CLARICE
Assim chegamos ao dia em que, há muito tragada pelo sonho, a mulher, tendo dado uma mordida numa maçã, sentiu quebrar-se um dente da frente. Com a maçã ainda na mão e olhando-se perto demais no espelho do banheiro – e deste modo perdendo de todo a perspectiva – viu uma cara pálida, de meia-idade, com um dente quebrado, e os próprios olhos... tocando o fundo, e com a água já pelo pescoço, com cinqüenta e tantos anos, sem um bilhete, em vez de ir ao dentista, jogou-se pela janela do apartamento, pessoa pela qual tanta gratidão se poderia sentir, reserva militar e sustentáculo de nossa desobediência...”.
Lispector
13 de junho de 2009

Foto: von Ben Goossens
Agora é tarde!
Um vazio habita meu ser e meu grito silencioso
Não pode ser ouvido pelos caminhos por onde passo.
Tive um sonho...
Nele; não conseguia abrir os olhos, não via as faces
Sentia os lugares, ouvia as vozes, mas não via as faces
Quero sair,
Tenho medo
medo que me olhem
que percebam que existo...
Já penso no revólver sem balas...
Quero luz, mas não posso abrir meus olhos
O revólver grita silencioso
A tarde nas faces, fases - outono
Não sei...Alice não veio
O gato morreu, meu livro não quer abrir
Já estão mortas as linhas a serem escritas
Grito – Ouve – Silêncio
Alice – Morta – Teus pés
Quero vida, que não sei se existe
Tão forte que quebra o último suspiro
Feito de claras apodrecidas
Quero vida, teus pés – Cristo os lavou
Tenho a cruz, o revólver no armário-ar...
Ar-ar-ar-ar-ar......................
Marlene
13/06/09
6 de junho de 2009
24 de maio de 2009
16 de maio de 2009
Para a sofreguidão...
Frio que humilha corpos des(acalentados)
Aquecendo o bolso de bem poucos
Insistem em nus, jogarem corpos humanos no desumano trono da vida
Como reis calcificados pela desordem que ordena a pequenos
- vestes nobres de tal grife
Orgia de pura seda que pela fresta olham apavorados aos que lhes sustentam
O luxo acumulado de lixo
Com perspicácia dos ídolos messiânicos
Justificando meu frio, minha fome, da redoma salutar de um divino
Tão pobre gravidez apodrecida no ar...
Marlene 16/05/09
8 de maio de 2009
6 de maio de 2009
E Cheiro...
Foto: Marlene I.KuhnenMeu ser transborda na luz que gira olfativamente neste próprio ser
As rosas redondas na crescente espiral da vida
Germinação, pétalas formando o botão maduro
Em mim e de mim
Sou assim, respiro o botão
De verde que lança espinhos
Em-talo de caule verde-douro
Pequeninos salientes agudos a ti revestem
e brotam rigidamente junto a rosa
da terra que de mim foi recheada...
26 de abril de 2009
Mas tão extenso em seus caminhos
A cor bruta de um sonho – pode acorrentar
Pés descalços e machucados
Sangue que verte em um universo transbordado de aguardente
Cala em minha figura
Um colorido só para retocar a alma
Lá, onde simples gestos de alongamento muscular
Não tocam
Não sei por que não tem som agora...
m.i.k
26/04/09
"...A chuva nunca para de cantarA chuva nunca para de descer
E a chuva (chuva)Com o seu sonho de água vem acesa
Pra lavar o que passou..."
cordel do fogo encantado
29 de março de 2009
Jasmim dos poetas
Qual flor me tem em cheiro ...Exalo o odor puro de cristais paradoxos...
Que cheiro te escrever?
São tantas as palavras, que me foge a exata linha sonora
Dessas cordas que tocam há tanto
Secas... velozes, um puro aço que transborda o deserto
De areia tão fina que cegam
Molhadas, os cristais de meus olhos cansados
E tremidos...
Amarelo,
14 de março de 2009
Dia da Poesia(não Tem Título
8 de março de 2009
Doideira
Foto: grENDelGozo deleites suburbanos da madrugada tragada em gestos insólitos de palavras intraduzíveis em um mundo sem sílabas ou pontos eternos da mística humana Nada são senão simples frases mal traduzidas dos gestos ignóbeis de mim Que sonho sem fim Não uso pontos nem sinais ortográficos corriqueiros na comunicação que jaz a relação "normal" de um ser anormal ou perfeitamente ocioso na sua defesa anti o trabalho valorizado por um grupo estabelecido de besta há séculos na defesa das luzes clareadoras do absolutismo
Preciso pular um quadrado para ver se chego na minha lucidez ótica de um plural abastecido de frases sem nexo com nexo dos dias que são ditos de noite sem lua e avião no céu ou no raso pensamento de uma transformação da idade que não resolveu proveu a dor infinita da adolescente desconexa de um tempo contido no espaço transfigurado de pele e olhos precisos de uma música na qual não comporto/a na cabeça explodida, usei sinal transformei o código de- pressa transformou-se no lerdo toque no teclado Estado obtuso da realeza virtual que me comunico com o mundo de forma silenciosa
Agora foi um espaço entre a linha primeira que pulei no tempo corrido cronologicamente depois de cromos que escorreu na cadeira foi tomada de uma preguiça minimalista

