29 de setembro de 2008

Leve momento onde as glândulas exalaram uma substância que por um fio de segundo me contentaram


E que assim vai...
Caminha aqui, pisa ali!
Uma poça no caminho, do outro lado o elevador
Não, caminho sobre a poça, pulo e respingo
Subo aos ares assim...
Marlene
Foto: Marcelo

21 de setembro de 2008



Agora com dedinhos no gatinho(LHO)
Nas mãos de Tom Sawyer
Brincava sem vida.

Marlene

Foto: Google

30 de agosto de 2008


O gato sem botas
De becos e guetos
Perdeu vidas, sobrou uma
Um leve fio a sustentá-la
Foto: google

22 de agosto de 2008


O gato agora andava sustenido
A meia voz de improviso
Em muro sem equilíbrio
Foto: Google

9 de agosto de 2008



Na boca do gato tinha um fio
Encravado, do seu bigode
A língua áspera limava o céu escuro

Foto: Internet

3 de agosto de 2008

O Homem Lúcido*

Foto: Marlene Kuhnen
O Homem Lúcido sabe
que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela
Assim como ele nunca tem memórias
O Homem Lúcido sabe
que o viver e o morrer
são o mesmo em matéria de valor
posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um Mal
O Homem Lúcido sabe
que ele é o equilibrista na corda bamba da existência
Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento
interrompendo a sessão do circo
Pode também o Homem Lúcido
optar pela vida
Aí então
Ele esgotará todas as suas possibilidades
Ele passeará pelo seu campo aberto
pelas suas vielas floridas
Ele saberá ver a beleza em tudo!
Ele terá amantes, amigos, ideais
urdirá planos e os realizará
Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças
E se atingido por um desses emissários
saberá suportá-lo
com coragem e com mansidão
E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais
e em idade avançada
cercado pelos seus filhos
e pelos seus netos
que seguirão a sua magnífica aventura.
Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido
uma aura de bondade
Dir-se a:-Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!
A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis
O Homem Lúcido porém
esse que optou pela vida
com o consentimento dos deuses tem o poder magno de alterar essa lei
Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...
Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com
Os Homens Lúcidos
*O texto é uma livre tradução, parte de um Tratado sobre a lucidez, que teria sido escrito no séc. VI a.C, na Caldéia – parte sul e mais fértil da Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre.

1 de agosto de 2008

Foto: Marlene Inês Kuhnen

E logo a primavera...

19 de maio de 2008

( )

Foto: Marlene Kuhnen

Envelheci, dormi
Perdi o trilho e o trem anda diferente, veloz
Chorei escondido, enruguei
Plantei flores, morreram
Até o céu pousa diferente...
Suportei, bati a cabeça na ...
Ando com febre, 380
Vejo luzes, nãovejopessoas
Os dentes amarelos
Cabelos pelo chão
Gorduras depositadas no corpo
Os olhos que cegam, cegam
Não me anuncio no dorso do elefante
Voudormir

Marlene 19/05/08

16 de maio de 2008

Fragmentos


Cacos de mim espalhados
............................................Espalhados e inalcançáveis
..........................................................................................Cansáveis
Grito oco, ouvido por dentro
.................................................Olvido
...........................................................Zunido
Barulho que atormenta a mente
.......................................................Mente quem diz
..................................................................................Diálogo
Inacabado eterno estado
..........................................Demência
..........................................................Pula corda e acorda do grito feito raio ..........................................................................................partido
Estardalhaço
......................Aço
............................Brilho fosco da espada empalada na garganta
Percorre o ânus
...........................Interior escatológico da criação
Criatura inacabada ...
.....................................

.....................................

.....................................


Marlene 15/05/08
Foto: Grendel

1 de maio de 2008

A Barca-abarca

Foto: Isaurinha Brissos

Vi a roupa lilás pelo espelho. Estampei um som na voz e regressei do claro sonho de abril.
Era o final, o mês se ia e eu ali, observando os lados, as linhas, cada sol que nascia nas noites que davam lugar ao dia.
Pisei meu caminho novamente, olhei e contemplei o céu, lembrei que era o que me fascinava. Era Outono, pois final de Abril. Tive um pensamento de justiça, logo corrompido pela minha neurose febril, adaptada pelo sistema. Eu, já contaminada desses longos momentos que duram alguns séculos rabiscava algumas palavras, letras negras em longas folhas.
Meu corpo não correspondia ao que sentia, agia, a culpa vinha, exatamente como fora planejado por não sei quem, mas foi. Homens BRAVOS tiveram sonhos, escreveram coisas, contagiou a legião de outros tantos que tinham desejos misturados e ansiavam por dias melhores, dias de sol...dias que pudessem contemplar a lua sem a culpa de fazê-lo Por dar lugar ao ócio, por querer somente ser dono de mente e corpo...
O outono passou e um novo veio -já se anunciando velho, foi o tempo que correu no caminho de lindas lilases pelo espelho. Reflexos dos plexos batiam direto no canto esquerdo de um peito, TUM, , TUM, luzes tão minúsculas ... Apagaram-se na única forma. Energia.
Células mortas, - pendiam no pó...

Marlene –hoje)

Obs. O espírito do som(sol)...,avança para o mar, tá na crista da onda,... espera a onda chegar e ainda brinca na espuma(lindo) – Cássia Eller (não sei se realmente é dela), mas capitu me espera...

19 de abril de 2008

A Corda do Violão

Foto: Mariah

Prata incendiando a luz do cais
Que em noites franzinas escutava
O eco de gritos sangrentos...
Era pelo mar, pelo mar
invadiam calçadas disformes
E mandavam informes, vestidos em seus uniformes sem cor
Em punho, lanças brilhavam ofuscando
A luz que dormia em silêncio a guardar
A sorte dos olhares arregalados e distraídos

Eram corpos espalhados

Eram vampiros que de súbito vinham sugar meu ar,
Acordava em cóleras
A janela - corria a olhar para ver a cor do mar...
Lilás?
nem o fogo brilhava nas ondas
ofuscado
pelo sabor da dor

O parto, estava no início
Gemidos quase imperceptíveis
Latente, batia, batia...
Uma mão pousou em minha janela

Sem dedos seus anéis brilhavam
Para ninguém mais, ninguém
Não havia...

Sorrisos mordidos
Piscavam das bocas
Sem voz
Engolia seca a fumaça
Sem gosto, sem manto

De repente, as calçadas vazias
- e o ar
No sangue daquela espada
Prateava as curvas da água do mar;

Marlene 18/04/08

17 de abril de 2008

Faces

Traduza em mim, uma parte do Claro
Traduza em mim, uma parte do Escuro
E deixe a outra para juntar o que falta...

Marlene 16/04/08