29 de fevereiro de 2008

Dignificada

Foto: Manuela Pestana
Hay en la noche un grito y se escucha lejano
Cuentan al sur, es la voz del silencio
En este armario hay un gato encerrado
Porque una mujer, defendió su derecho

De la montaña se escucha la voz de un rayo
Es el relámpago claro de la verdad
En esta vida santa que nadie perdona nada
Pero si una mujer, pero si una mujer
Pelea por su dignidad

Ay morena, morenita mía,
No te olvidaré

Te seguí los pasos niña
Hasta llegar a la montaña
Y seguí la ruta de Dios
Que las ánimas acompañan

Lila Downs

28 de fevereiro de 2008

Mãos

Foto:Marcos Sobral Nudes
O quão pornográfica poderia ser nesta tarde de chuva. Tarde de domingo, além de ser domingo é tarde e chove. Ah, minha angústia que volta, meus desejos carnentos que me tomam. Paloma Negra para os ouvidos, para a carne que quer gozar: os dedos, que percorrem em visões alucinadas de corpos debatidos no chão...
Só; no quarto, enfeitando meus pensamentos de sexo ardoroso, de sexo amoroso, não, só de sexo...pois o desejo agora é sexo. As coxas já roçam em si, o clitóris intumescido e umedecido, espera caliente algo a lhe tocar...Hum, mãos que vem e vão, leves e desesperadas sob o comando das narinas que palpitam agora junto ao coração...Batimentos, bati-mentos...
Um momento a percorrer o céu, lampejos diurnos, músculos contraídos e traídos...
Voltei, a chuva passou, o corpo mole e feliz, agradecido pela hóstia embebida dos choques do desejo.
A cabeça pende, um leve rosado na face, um cigarro a fumaça, agora é ela que desenha seus anseios no ar...

Marlene
24/02/08

24 de fevereiro de 2008

Letras ou Sardinhas?


Quem dera dantes
Meus gritos de loucura
Tivessem sido ouvidos
E pelas ruas gritar
Freneticamente/bebadamente
Poemas desconexos
Na linguagem torta de minhas leituras
Meu cego apreço pela vida(!)
Com risco de batom na boca
Vomitei cânticos inacabados
E piorados pelas minhas letras
De papeis amargos
Nem boas nem belas
Mas minhas letras
Escondidas...
Da divisão de meu cérebro esquerdo e direito
Difuso, confuso
Qual parte de meu corpo
Corresponde a tal divisão?
O que importa?
São letras mal escritas...
Talvez...se abrir uma lata de sardinha acompanhada
De um belo copo de cachaça barata
Poderei dormir remexendo na cama
Acreditando ser ela a remexer
Quem dera dantes
Fosse pura o suficiente para ter as letras
Vomitadas com odor e sabor de sardinhas com pinga...


Marlene
23/02/08

22 de fevereiro de 2008

Foto: Xã

Morri afogada no ar
Por várias vezes...

As 6 da tarde
As 6 da tarde
As 6 da tarde

Os pés suspensos
A agitar borbulhas
De ar

As 6 da tarde
As 6 da tarde
As 6 da tarde

Continuo suspensa
No mar...

As...

Marlene
220208

14 de fevereiro de 2008

Foto: Paula Rosa

Escrevo-me em lápide de sangue
Verto-me em uma única mulher
As mulheres que em mim habitam
Raspo-me com gilete envelhecida
Enferrujada...
Troco o cigarro pelo baseado
O conhaque pela pinga...
Recolho as lágrimas secas
A despentear meus cílios
Fecho-os

Marlene Kuhnen

11 de fevereiro de 2008


Foto: Raphael o pensativo


O ato de escrever confunde-se com o ato de bordar retalhos...
Com uma eterna linha de chuva, que vai e vem no compasso
Sintomático do invisível...desmancha-se em algum lugar
É Como cravar o bordado na leve folha branca, para colorí-la
Em sentidos de vida vertical/horizontal...
Este ato, que tão bem ensaiado trás versos diversos em forma de pano
Que aos poucos vai se transformando na forma
Inevitável que dou, não grudo o meu retalho
Costuro com linhas de chuva
Não penso o meu retalho, o transbordo com minhas linhas de chuva
O pano, que branco já se fazia ficou com as linhas
Escritas de meu bordado...
E agora aquele que aqui observa a obra concluída
Não vê as linhas de chuva
Apenas os retalhos

Marlene 10/02/2008

10 de fevereiro de 2008

Sábado, 9 de fevereiro de 2008.

Foto: Cláudia Kuhnen

Mais um ano que começa(clichê). Acabei de retornar de uma viagem de anos de espera, de sonho concretizado, o que me faz perceber, que sonhos são possíveis. México, por lá estive, por lá andei em 10 Estados, belos, coloridos e com história. Povo sofrido, bem próximo ao nosso, situação de miséria e riqueza, posta lado a lado, pessoas que teimam em sobreviver, em lutar por seus sonhos, em resistir ao roubo que dura séculos; de sua cultura, terra, dignidade.
Construções pré-colombianas e hispânicas, tentando obstruir parte da história, tentando negar a verdadeira civilização, impondo uma cultura fria e branca...Ah, povo que resistiu; 1821 1910... 2008. Histórias de revolução, de sangue quente, de belas bebidas e alucinações, de bruxos e anjos...
Construções perfeitas e mágicas. Homens que lutam da floresta, cidades montanhosas. Perfeita geografia de um lugar único. Mares azuis, muralhas em seu entorno...danças, palavras cantadas e sorrisos abertos...
Belo sonho realizado...

Marlene