Sou uma merda, queria ser a bunda Mas sou a merda, a fedida A que precisa ser expelida, A que estraga, ninguém quer embaixo do sapato A que cheira, estraga... A bunda a desejada, a gostosa Redonda, arrebitada, coração Bunda, grande, pequena Mas eu sou a merda...
Por que tanto andar Ah, se você soubesse das invasões Passaram agora de carro, deixando o som No silêncio da passagem Gritaram meu nome? Não sei, não podia ouvir. Vi um rosto manco do outro lado da rua Me olhava; estremeci Tentei linhas, mas não conseguia escrever Não conseguia falar com palavras, não, sentimentos e o rosto Fixo me sinalizava, mas não podia ver Não era pra mim Era a alma nua/crua por trás ...
Não sou paz, sou tumulto, ventania Mar revolto sem saber onde nadar Me embriagam os olhos do choro Alcoólico, do hálito de lágrimas Do corpo na alma cansada Sem saber tratar, sem saber amar Dói o peito, inflamado Sem saber como caminhar... Onde pisar, como voar... Ainda completo o meu ser! Queria poder/saber amar todos os dias... Pedacinho de vidrinho, estilhaço Na crua alma por detrás
essência, moléculas unidas neste ser transeunte na vida voando, leve na lua leve ao sol leve ao sol essência minha de raios quentes cintilam ponderadamente essência, me faz louca me fez louca
Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. - O mundo é isso – revelou. – Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueirinhas iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.
" Prá onde vão os trens, meu pai?Para Mahal Tami, Cam rí, espaços no mapa, e depois o pai ria:também prá lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que semova o trem tu não te moves de ti. " (Tu não te moves de ti - Hilda Hilst)
Já nem sei mais, horas que sou, horas não sou. Misturo letras e estilos, grito de outras formas, meu eco retumba no meu próprio eu, não sei; as vezes não sou, outras nem sei...